quinta-feira, 4 de março de 2010

Paradoxal Arquitectos


Diz o protocolo (não que dele gostemos, ou que dele faremos uso muitas vezes no futuro) que no primeiro texto de um blog se versa sobre os objectivos, convicções e princípios dos seus temas e intervenientes, e como tal, nada disso faremos. É assim que o queremos (o blog e o atelier), livre de ansiosas imagens cliché e lugares comuns.
Mas já que não explicamos ou explicaremos coisa alguma nesta introdução, clarificaremos pelo menos o nome Paradoxal deste atelier, ainda por existir. Paradoxal porque é o único adjectivo capaz de definir um grupo tão diverso como este, que concorda em muito pouco e raramente no essencial. Nascemos em 5 cidades diferentes e estudamos em 3 países diversos usando 6 línguas distintas. Não temos os mesmos valores culturais, sociais nem políticos; em suma, em pouco nos entendemos, à excepção da convicção de que deste conflito pode nascer boa arquitectura e que os projectos só têm a ganhar no cruzamento.
Queremo-lo o mais contraditório quanto possível, a um milímetro da linha de coerência que nos uniu. Sobre este tema (talvez o único) seremos muito claros na nossa consonância. A arquitectura como a vemos deve ser algo de simples e belo, capaz de emocionar quem a percorre sem nunca comprometer a lógica racional e funcional. Não existe parolo adjectivo arquitectónico, como movimento, velocidade ou gesto, que justifique o vender desta base. Não faremos megalómanos concursos para o Japão nem bolhas inspiradas em caracteres chineses em delírios para o Dubai. Ensinaram-nos a fazer arquitectura e não a construir delírios pseudo-artísticos. Em vez disso encontrarão em nós uma imensa dedicação e prazer em cada caixilho, cada remate, no maior dos equipamentos ou na mais pequena das casas. A arquitectura é arte construída, não renderizada e é isso que faremos.
Ao risco de confusão e incoerência responderemos com o sorriso de Mies Van der Rohe para o seu S. Agostinho, enquanto sentado na sua cadeira barroca na sua casa de modestas e bem definidas janelas....


João Marques Franco